A des(Ventura) das Presidenciais
Ontem, dia 17/11/2025, aconteceu, em transmissão na TVI, o primeiro debate para as eleições presidenciais, opondo os candidatos António José Seguro e André Ventura.
No primeiro momento, ambos os candidatos foram questionados sobre a questão da alteração da lei laboral. António José Seguro abordou o tema de forma clara e com uma postura estadista, afirmando que não concorda com a alteração das leis laborais, muito menos com a limitação do direito à greve dos trabalhadores. Por outro lado, André Ventura, que manteve uma postura constantemente desafiadora e interrompia o adversário, defendeu a alteração da lei laboral, mas não nos termos da proposta atual. Ventura, por exemplo, propôs que as greves deveriam ter algum tipo de compensação para os lesados.
A meu ver, as leis laborais não devem, de modo algum, ser alteradas, especialmente no que diz respeito ao direito à greve, pois as greves são a única forma dos trabalhadores se fazerem ouvir quando a negociação falha.
André Ventura, de forma descontrolada e provocatória, falou sobre a suposta “herança do Partido Socialista” que o seu oponente representa, utilizando isso como uma tentativa de descredibilizar António José Seguro. No entanto, António José Seguro respondeu calmamente, afirmando que o debate não era contra o líder do PS, mas sim contra o candidato António José Seguro.
Em seguida, Ventura falou sobre os imigrantes que, segundo ele, chegam recentemente a Portugal e têm acesso à saúde gratuita sem terem contribuído para a Segurança Social. António José Seguro, por sua vez, explicou que a saúde gratuita só é garantida àqueles que descontam para a Segurança Social e que, nesse sentido, os imigrantes que contribuem têm tanto direito aos apoios e à saúde quanto os portugueses que estão no país há mais tempo. Seguro defendeu uma abordagem inclusiva e destacou que todos os que contribuem para o sistema devem ser tratados de forma justa e igualitária.
Ventura também recorreu a factos manipulados e descontextualizados para tentar sustentar os seus argumentos, como é habitual nas suas intervenções. Ao longo do debate, usou informações de forma distorcida para atacar o seu adversário e criar uma narrativa conveniente à sua agenda. Essa tática de manipulação da informação, sem um devido contexto, é uma estratégia recorrente de Ventura, que já se tornou parte do seu estilo de debate.
António José Seguro pretende ser um líder agregador, focando-se na busca de consensos entre todos os setores da sociedade. Já André Ventura defende que será um presidente apenas dos portugueses, afirmando que, pela primeira vez na história, haverá um presidente que se preocupa com as maiorias e não com as minorias. Mais uma vez, André Ventura recorre à generalização, dividindo o povo entre “bons” e “maus”. Pimenta na língua, André!
Ambos os candidatos foram questionados sobre o regime de governação atual. André Ventura defendeu o aumento do poder do presidente, propondo um regime presidencialista. Já António José Seguro defendeu a manutenção do regime atual. Concentrar mais poder nas mãos de uma só pessoa representa uma ameaça direta à democracia, que deve ser plural e não arbitrária.
Ao longo do debate, além de André Ventura constantemente atacar Seguro como se estivesse a atacar o Partido Socialista, poderia ter havido uma discussão mais substancial, caso ambos os candidatos, em especial Ventura, tivessem respeitado o moderador. O debate acabou sem que fosse feita a última pergunta, o que demonstra a falta de respeito pelo formato do evento.
Apesar de tudo, o vencedor do debate foi claramente António José Seguro, que soube manter uma postura calma e estadista, digna de um presidente da República. Já André Ventura continuou com os mesmos argumentos de sempre, parecendo uma cassete riscada que não sabe dizer mais nada. Durante o debate, recorreu constantemente ao ataque como forma de argumentação. E as medidas? Nem se viram. Mais do mesmo!
