Análise – António José Seguro vs. Catarina Martins

Um Futuro Seguro com diálogo, agregação e inspiração

No passado dia 06 de dezembro de 2025, decorreu o frente a frente entre António José Seguro e Catarina Martins, candidatos à Presidência da República Portuguesa para o mandato de 2026 a 2031. O debate esteve centrado em variados temas, desde logo, o tema da Justiça e da Procuradoria-Geral da República, questões sociais (SNS, demografia) e como a saída de Portugal da NATO. Em todos estes temas apareceram diferenças claras das prioridades de António José Seguro e Catarina Martins. Relativamente à Justiça e à Procuradoria-Geral da República, ambos os candidatos foram questionados desta matéria devido a Operação “Influencer” que deu origem à queda do Governo de António Costa, onde este seria alvo de escutas telefónicas, sendo que até hoje não há indícios de crime associados ao ex-primeiro ministro. Deste modo, ambos os candidatos
reconhecem problemas de comunicação e transparência na justiça, mas não
apresentam quaisquer medidas concretas para a resolução dos mesmos.
Enquanto Catarina Martins defende e insiste na autonomia do Ministério Público e na separação de poderes – o que se considera coerente, e que tendo a concordar devido aos valores de abril em que acredito e defendo. António José Seguro, tende a focar-se mais nas consequências políticas que a demissão do primeiro-ministro à altura teve, dizendo que “Há perguntas que a democracia tem de ter respostas”, nomeadamente a necessidade de os portugueses perceberem por que motivo aquele governo caiu. Neste debate percebe-se que, no campo das políticas sociais, os dois candidatos mantêm uma visão relativamente otimista sobre Portugal, apresentando o país como detentor de um sistema de proteção social robusto.
Contudo, praticamente não abordam problemas centrais do SNS, como a escassez de recursos, as listas de espera prolongadas e as desigualdades territoriais no acesso aos cuidados de saúde. António José Seguro afirma que em cada ano do seu mandato, escolherá uma causa política prioritária e que, no primeiro ano, quer criar, com o Governo e todas as forças políticas, um Pacto para a Saúde para melhorar o acesso ao SNS, sendo isto um ponto positivo para a sociedade portuguesa. No entanto, não explicita se esta proposta de um pacto, na sua opinião, passará por aumentar o investimento público, reforçar parcerias com o setor privado ou promover mudanças profundas na gestão, o que torna a medida pouco concreta e dificulta avaliar a sua eficácia potencial No âmbito da demografia, durante o debate os candidatos reconhecem que Portugal apresenta uma pirâmide etária envelhecida e com pouco rejuvenescimento, o que coloca desafios à sustentabilidade económica e social do país. António José Seguro defende a necessidade de promover a natalidade, sublinhando, porém, que não se deve obrigar as mulheres a ter filhos e que a sua decisão deve ser sempre respeitada.
Quanto ao lugar de Portugal na NATO, os dois candidatos apresentam leituras opostas, mas ambas procuram legitimar-se na Constituição da República Portuguesa, sobretudo na referência à dissolução progressiva dos blocos político-militares. Catarina Martins interpreta esse princípio como fundamento para defender a saída de Portugal da NATO, alinhando essa posição com o seu espectro político mais pacifista e crítico do militarismo, chegando a afirmar que a organização é dominada por Donald Trump e por uma lógica de poder que rejeita.
António José Seguro, pelo contrário, sublinha a ideia de continuidade: afirma querer manter Portugal na NATO, valorizando a aliança como instrumento de segurança coletiva num contexto de guerras na Europa e de ameaças externas. Contudo, reconheço que as duas posições têm fundamentos distintos, mas considero mais adequada a perspetiva de António José Seguro. Na minha opinião, Portugal deve continuar a integrar a NATO, porque a pertença a esta aliança é hoje um fator importante de Segurança e defesa num contexto internacional marcado por conflitos bélicos e ameaças à paz mundial.
Deste modo, ao longo do debate torna-se visível que Catarina Martins, embora apresente uma visão projetada para o futuro de Portugal e dos cidadãos portugueses, recorre com frequência à crítica do passado político de António José Seguro, colocando grande ênfase na responsabilização pelas suas decisões anteriores. Já António José Seguro projeta um futuro para o País, procurando construí-lo em torno da ideia de um “Futuro Seguro” e apresentando-se como um Presidente agregador, de diálogo e de inspiração. Nesse sentido, considero que António José Seguro representa, atualmente, uma boa opção para a esquerda, conjugando a vontade de mudança com uma postura de estabilidade e de conciliação política