A polarização política nos EUA e o seu impacto no discurso político europeu
À medida que nos aproximamos da data das eleições presidenciais estadounidenses, é importante refletir no impacto que os resultados eleitorais, que serão presentes independentemente do candidato que vença, terão no discurso político dos partidos europeus, em particular os da direita radical.
Como já é notório por parte da população, o impacto das decisões políticas feitas nos EUA é, por si, refletido por todos os países do mundo ocidental, quer por impacto direto das decisões tomadas pelos líderes americanos, quer pelo discurso político que eventualmente se propaga pelos países alinhados geopoliticamente com os EUA, devido ao lobby dos media e das megacorporações americanas presentes em todos os países do mundo ocidental. Este tipo de divergência política que poderemos observar futuramente, vem como um sucedente ao que aconteceu no mundo ocidental com a ascensão do liberalismo pré-grande depressão, que na contexto político contemporâneo denominamos de neoliberalismo, numa sociedade do liberalismo keynesiano, protagonizado por Margaret Thatcher e Ronald Reagan, aos quais hoje em dia ainda moldam o nosso sistema político. Tendo isto dito, após as eleições presidenciais nos EUA, iremos encontrar um panorama político que simboliza a transição ideológica dos partidos americanos presente na década passada: um Partido Democrata progressivamente mais centrista e representativo do establishment croynista e capitalista das elites americanas e um Partido Republicano neoliberal e economicamente uma hipérbole do Partido Democrata, sendo que progressivamente mais a única área ideológica onde divergem é no que conta a direitos civis.
Como consequência e em semelhança ao que aconteceu nos anos 80 nos países do mundo ocidental, é natural que partidos previamente de direita se dirijam progressivamente mais para uma direita neoliberal acentuadora da representação dos interesses das elites financeiras e megacorporações e um centro-esquerda que diverge progressivamente mais das suas origens assentadas na linha ténue entre o sistema económico capitalista e socialista, ao qual damos o nome de social-democracia, para uma ideologia social-liberal centrista, incapaz de atacar os problemas da nossa sociedade.
“Observando o que foi dito anteriormente, é lógico concluir que é necessário manter uma posição cautelosa e observante em relação ao impacto do panorama político americano no período sucedente à inauguração do próximo presidente, pois a política interna e externa americana pode impactar a retórica política dos restantes países do ocidente.”
-Tomás Marques
Também é necessário evitar que o croynismo americano se espalhe pelos países da UE da mesma maneira que se integrou nos EUA e manter uma posição assertiva em relação a uma deriva ideológica para a direita que possa vir a acontecer.
A palavra é de:
Tomás Marques

