Opinião – Vasco Branco

Trump: o magnata que não percebe de economia

As próximas eleições americanas representam a luta desesperada pela sobrevivência de uma das mais influentes democracias a nível global. Assim, o resultado destas pode ter implicações significativas para a saúde das restantes democracias, ao dar ou tirar alento às forças de extrema-direita dependendo do vencedor. Desta forma, a possibilidade de Donald Trump ser reeleito como Presidente dos Estados Unidos da América é uma hipótese que deveria preocupar todos os que defendem valores democráticos como a igualdade e a liberdade.

Embora indesejável, esta possibilidade não é remota. Apesar do seu desrespeito pelas instituições democráticas e pelos valores progressistas das sociedades desenvolvidas, a candidatura republicana é vista por parte considerável da sociedade americana (e não só) como objetivamente superior em certos aspetos, empolando a candidatura entre eleitores mais moderados. Um destes aspetos é a economia, onde frequentemente se utilizam comparações entre a performance económica dos mandatos de Trump e Biden como prova de superioridade do candidato republicano.
Esta perspetiva não podia estar mais longe da verdade. Primeiramente, a comparação entre os dois mandatos é falaciosa, já que Biden teve de lidar com os impactos nefastos da pandemia, algo que Trump teve a felicidade de evitar durante o seu mandato. Além disso, as próprias bandeiras da candidatura de Trump são bastante negativas para a economia.

Um destes aspetos é a economia, onde frequentemente se utilizam comparações entre a performance económica dos mandatos de Trump e Biden como prova de superioridade do candidato republicano. Esta perspetiva não podia estar mais longe da verdade.

– Vasco Branco


O candidato republicano defende o aumento de tarifas sobre as importações, o que não só iria aumentar os custos para as empresas e famílias americanas, como também iria fomentar o surgimento de guerras comerciais (nomeadamente com a China e a União Europeia), prejudiciais para todos os envolvidos. A ameaça de deportação de todos os imigrantes ilegais iria apertar ainda mais o mercado de trabalho americano (com uma taxa de desemprego de 4.1%), ao retirar quase 12 milhões de habitantes, muitos deles com trabalho. Isto traria ineficiências e constrangimentos ao bom funcionamento do tecido empresarial, além de outro aumento de custos. A promessa de baixar impostos agravaria o défice americano, que já se situou acima de 6.1% do PIB americano no ano passado, podendo levar as finanças públicas ao limite. Finalmente, o efeito conjunto destas medidas poderia resultar em efeitos inflacionários e, consequentemente, em maior inflação, algo que Trump prometeu acabar ao longo da campanha presidencial.

Noto que esta visão não é dependente da minha posição ideológica, já que a partilho com o The Economist, uma revista económica assumidamente de centro-direita que recentemente anunciou o apoio a Kamala Harris. A posição do The Economist só reforça a ideia de que Trump não apresenta soluções viáveis para quem se preocupa com os valores democráticos, independentemente do quadrante ideológico onde se insira.

A palavra é de:

Vasco Branco