Um partido com visão no futuro, não fica agarrado ao passado
No dia 16 de fevereiro, o secretário-geral do Partido Socialista (PS), Pedro Nuno Santos, enfrentou Mariana Mortágua, coordenadora nacional do Bloco de Esquerda (BE), tendo sido um debate bastante esclarecedor, pena não ter dado para debater outras realidades. Este debate foi moderado pelo jornalista da RTP João Adelino Faria, e foi abordado diferentes temas tais como, posição do PS para uma coligação pré-eleitoral, justiça, controlo público das empresas, SNS, Habitação, despesas da defesa.
Sobre o primeiro tópico abordado, é importante recordar que no passado já foram parceiros com a geringonça, e por isso não será uma novidade, e sim uma possível solução, não havendo maioria para o Partido Socialista. Mas um acordo entre o PS e BE, segundo Pedro Nuno dos Santos, apenas faz sentido após as eleições, uma vez que, neste momento, o importante é cada candidato defender as suas propostas.
Quem muito fica agarrado ao passado como a coordenadora do BE, não consegue traçar um caminho para o futuro.
Gonçalo Silva
Sobre a justiça, ambos estão de acordo sobre a importância da Lucília Gago (procuradora geral da república), ter dados esclarecimentos. Sobre este órgão, reforçam a importância da sua clarificação, independência e autonomia. Os dois têm noção dos custos jurídicos dificultando uma justiça igualitária, estando de acordo com a “reforma”, concordando com a revisão do acesso e processo neste órgão.
Sobre o controlo público das empresas, o BE insiste em viajar no passado, e deste modo, quer recuperar o controlo urgente de algumas empresas que atualmente são privadas, como a REN, CTT. Já o PS, tem uma visão mais concreta do futuro, e tem noção que neste momento, voltar a privatizar essas empresas não é a solução, nem a prioridade atual. Se fossem atualmente públicas, a manutenção delas seria com certeza um ponto focal, agora esse investimento para voltar a privatizar, não está nos horizontes de Pedro Nuno.
Já sobre o SNS, o BE aponta vários defeitos, como alega que os privados drenam muitos fundos do SNS, não dá a resposta necessária, não consegue assegurar os profissionais de saúde e no que toca a soluções falha, uma vez que, para o BE a solução passa apenas na exclusividade da carreira, descartando muitas outras medidas que seriam importantes para a manutenção do SNS. Pedro Nuno, destá-se positivamente neste tópico, apresentando soluções mais concretas como a valorização salarial do SNS, reforçar serviços de saúde primária, aumentar meios complementares de diagnóstico nas USF, através da gestão pública, reduzir lista de espera, reforçar equipas domiciliárias para reduzir internamentos hospitalares, médicos das unidades residenciais para idosos com mais competências, para reduzir internamentos da terceira idade por falta de cuidados específicos que os médicos de lá não podem fornecer
Na habitação, o BE gosta de sonhar e fazer o impossível, sugerindo como solução para a crise na habitação, baixar os juros na caixa geral de depósitos. O PS, mais uma vez esteve bem na sua intervenção, debatendo que se isso fosse para a frente, em vez de toda a população portuguesa com créditos de habitação saírem beneficiados, apenas os utilizadores da CGD seriam beneficiários, e também nenhum acionista seja ele público ou privado pode mudar as políticas de um banco, porta65, IVA a 6% da construção, garantia pública para jovens casais, contratualização com o estado para arrendamento.
Por fim falando sobre a despesa, os dois partidos estão em concordância com os 2% nas despesas da defesa para reforçar os mecanismos de proteção.
Pedro Nuno dos Santos destacou-se muito mais que a Mariana Mortágua, graças às soluções concretas que apresentou, sempre com uma visão do futuro, e não ficando preso ao passado. Quem muito fica agarrado ao passado como a coordenadora do BE, não consegue traçar um caminho para o futuro.
A palavra é de:
Gonçalo Silva

