Análise – PS vs Chega

Futuro da habitação sem propostas à direita

Podemos assistir a uma grande colisão de opiniões e soluções para o país entre dois partidos com ideologias vincadamente divergentes, PS e Chega. Não faltou energia ao debate, nem temas a serem analisados desde questões relacionadas com a justiça e o combate á corrupção, o problema com a saúde, a crise na habitação e medidas relativas aos impostos. Foi um dos poucos debates até ao momento em que podemos ouvir várias propostas concretas para todos os grandes temas colocados na mesa a ambos os líderes partidários, à exceção do caso da habitação em que André Ventura preferiu colocar em evidência os problemas do setor em detrimento de apresentar soluções para os portugueses.

“Foi um dos poucos debates até ao
momento em que podemos ouvir várias propostas concretas para todos os grandes temas
colocados na mesa a ambos os líderes partidários, à exceção do caso da habitação em que André
Ventura preferiu colocar em evidência os problemas do setor em detrimento de apresentar
soluções para os portugueses.”

Fábio Pinto


As divergências foram claras em todos as questões debatidas. No que à justiça diz respeito, o líder do Chega fala essencialmente em agravamento de penas e no confisco e apreensão de bens, além da redução em três vezes da opção de interpor recurso. Já o líder do PS mostrou coerência ao optar por não comentar o caso de corrupção na Madeira, apesar da pressão da moderadora neste sentido. O mesmo rebateu os argumentos do Chega ao referir que a apreensão e confisco preventivos já existem, e defendeu que o papel dos decisores políticos deve ser o de aprovar legislação anticorrupção e dotar o sistema judicial de meios.

No campo da saúde temos de um lado PNS a apostar no reforço do SNS, passando pela valorização das carreiras no SNS e pela negociação de um vínculo de trabalho dos médicos ao mesmo numa fase inicial de carreira, entre outras medidas; e do outro lado AV a optar pelas PPP, visando um aumento dos salários transversal a todos os profissionais de saúde e pagamento de horas extra. Na matéria de impostos AV defende uma redução generalizada dos mesmos, enquanto PNS opta por uma visão mais sóbria, sustentável e estratégica desta descida.

Relativamente ao problema da habitação PNS defende o alargamento do Porta65, travar o aumento das rendas, servir de garante para os jovens que queiram comprar habitação própria permanente, entre outras medidas. Não havendo nenhuma proposta concreta por parte de AV neste assunto. Pedro Nuno Santos voltou a frisar muitas das propostas concretas para o país que tem vindo a expor em debates anteriores, mostrando desta forma aos portugueses a realidade objetivas que lhes espera caso o Partido Socialista vença as eleições. O líder do PS pretende fazer um trabalho, simultaneamente, de continuidade das políticas que têm surtido resultados positivos nos últimos dois mandatos, de respeito pelo tempo de maturação de certas medidas, como é o caso da construção do parque público, e de reforço das áreas que ainda assim carecem de intervenção urgente.

André Ventura, como já nos tem habituado, apresentou uma forma de estar muito interventiva e combativa no debate. Expondo aquelas que são as suas medidas para combater alguns dos principais problemas do país, embora não tenha conseguido ser muito convincente quanto à exequibilidade das medidas ambiciosas que apresentou. Nota negativa por alguma linguagem imprópria que proferiu no debate, e por um excessivo apelo ao seu eleitorado idoso e força policial. Apesar de ter havido demasiadas interrupções e atropelamentos entre candidatos, o que apenas acrescentou ruído desnecessário, de forma geral, assistimos a um debate interessante no sentido em que se discutiu muitas propostas políticas para áreas cruciais da nossa sociedade.

A palavra é de:

Fábio Pinto