Um debate moderado mas sem moderador
Num debate onde ficou clara a convergência (ainda que parcial) das agendas do PS e do LIVRE, lamenta-se a postura do pivô João Adelino Faria, que limitou ferozmente as respostas de ambos os candidatos.
No passado dia 10, o secretário-geral do Partido Socialista (PS), Pedro Nuno Santos, e o porta-voz do LIVRE, Rui Tavares, enfrentaram-se num debate que, de uma forma global, se pautou pela moderação e um respeito mútuo entre ambos – de facto, há mais o que aproxima os dois partidos do que o que os separa.
Este debate, moderado pelo jornalista da RTP João Adelino Faria, iniciou-se com a hipótese de uma eventual transposição da atualidade política na Região Autónoma dos Açores para a Assembleia da República, com o moderador insistentemente a questionar ambos os candidatos se viabilizariam ou realizariam moções de censura a um governo minoritário da Aliança Democrática (AD), sem que deixasse os intervenientes responder convenientemente à questão. Foram cerca de 6 minutos perdidos, na minha ótica, a efetuar análises hipotéticas que, no presente momento, não têm qualquer interesse para Portugal e para os portugueses. Os debates devem ser momentos para discussão de ideias e de propostas para o país, e não para debater hipotéticas organizações político-governativas.
Os debates devem ser momentos para discussão de ideias e de propostas para o país, e não para debater hipotéticas organizações político-governativas.
– Telmo Silva
De seguida, abordou-se o tópico da habitação, tópico esse que suscitou a maior crispação entre candidatos (nomeadamente no que se refere ao programa “Ajuda de Casa” proposto pelo LIVRE, e que corresponde a um empréstimo pelo Estado para financiamento de primeira habitação), e ainda que ambos reconheçam pontes de convergência neste ponto entre os dois partidos, à semelhança do que ocorreu com a proposta, entretanto aprovada, do Passe Ferroviário Nacional e que, infelizmente, João Avelino Faria impediu que se fosse falada.
No tópico seguinte, relacionado com a educação, João Avelino Faria volta a demonstrar a sua impaciência para com as respostas dos candidatos, não compreendendo a importância dos partidos apresentarem propostas ponderadas (em virtude do panorama socioeconómico) e, se aplicável, discutidas com os sindicatos, o que impede qualquer uma das candidaturas de apresentar valores concretos para o aumento do salário dos professores. Uma vez mais, o PS e o LIVRE pouco divergiram neste tópico (tendo Rui Tavares falado um pouco mais em aberto face àquela que deverá ser a “escola do futuro”), tal como ocorreu quando o pivô questionou as posições dos candidatos em relação à Saúde, onde, por caminhos ligeiramente diferentes, ambos pretendem proporcionar um Serviço Nacional de Saúde robusto e que continue a servir os portugueses.
Na parte final do debate, Pedro Nuno Santos apontou, e bem, para o perigo da viabilização de um governo de direita, considerando premente, a mobilização do voto no Partido Socialista, que Rui Tavares tentou alargar para “uma maioria de esquerda”. Desta forma, e em jeito de nota final, considero que, independentemente do resultado eleitoral, deverá o PS garantir as pontes necessárias para que os portugueses sejam o mais beneficiados possível, tal como tem ocorrido desde 2015.
A palavra é de:
Telmo Silva

