Análise – PS vs PCP

Para além das promessas: a Verdade por trás das Ilusões

O passado sábado, dia 17 de fevereiro, ficou marcado pelo debate entre o Partido Socialista e o PCP, em que se defrontaram Pedro Nuno Santos e Paulo Raimundo, candidatos, respetivamente, de cada um dos partidos supramencionados.

Em traços gerais, de notar não só a cordialidade como o à vontade de ambos os candidatos, destacando-se, ainda assim, PNS, seguro nas suas afirmações, conhecedor dos temas tratados e dominador no debate, tendo, aliás, demonstrado rigor e seriedade ao frisar que o caminho da “chuva de promessas” não é exequível, ao contrário do praticado por alguns dos restantes partidos, (mormente mas não só de direita). Para fundamentar essa afirmação, PNS calculou três dos aumentos propostos pela CDU e o seu respetivo custo – o que perfez um total de 7,6 mil milhões de euros – para advertir que essa é uma fatura pesada e irrealista.

“PNS, seguro nas suas afirmações, conhecedor dos temas tratados e dominador no debate, tendo, aliás, demonstrado rigor e seriedade ao frisar que o caminho da “chuva de promessas” não é exequível, ao contrário do praticado por alguns dos restantes partidos”

Ana Canedo

No que concerne ao tema da justiça, destaque para PNS, que se saiu bem na resposta à volatilidade das posições que havia anteriormente tomado sobre o processo da Madeira, ao defender consensos nas reformas, o que lhe confere a desejada credibilidade. Adicionalmente, quanto ao tema da economia, o líder do Partido Socialista revelou-se maduro, ao defender a diversificação do tecido económico, bem como a melhoria das condições económicas enquanto única via para melhorar os salários.
Relativamente à temática mais debatida, e em que PNS claramente se destacou pela positiva, referente à agenda do trabalho digno, o candidato socialista arrasou Paulo Raimundo, capitalizando (e bem) para o PS todas as reformas introduzidas.
Referindo-se a um dos temas centrais, paralelo a todos os demais debates, o da saúde, o líder do partido socialista foi muito eficaz na defesa do aumento da autonomia das unidades de saúde, nomeadamente na área da contratação, ficando numa posição favorecida, porquanto os profissionais de saúde são conhecedores de que esse é irrefutavelmente um problema essencial na sociedade portuguesa.
Por último, mas não menos importante, de referir o tema em que PNS “piscou o olho” ao centro direita quando, a propósito da NATO e da segurança na Europa e em jeito de comentário às mais recentes afirmações proferidas por Donald Trump, defendeu que se honrassem os compromissos assumidos, o que o torna um político confiável aos olhos do eleitorado (note-se que a confiabilidade é, indubitavelmente, um dos principais valores para os eleitores do centro direita).
Nesta senda, é forçoso concluir por um eventual e provável entendimento futuro entre os partidos visados, com constantes lembretes de PNS a Paulo Raimundo acerca do bom funcionamento da geringonça, visando salientar que o projeto conseguiu “mostrar que era possível fazer diferente do que a direita tinha feito”. Citando o líder do PS, é crucial “agarrar-nos a isso! Mas com sentido de responsabilidade”.
Em síntese, nota positiva para os dois candidatos. Não obstante, importa dar a vitória a PNS, que pode tornar-se um adversário (ainda) mais temível para Luís Montenegro no debate que terá lugar na próxima segunda feira, designadamente pela forma madura, racional e coesa como vem enfrentando os debates, aprimorando-se progressivamente.

A palavra é de:

Ana Canedo