A (des)ventura de um partido vazio de ideais como resultado de um bolo mal temperado
Três colheres de protesto, quatro de súplica, cinco de militância, 100 ml de críticas e perguntas retóricas com um bocadinho de “quem me ouve sabe” e “está-me a irritar” para recheio, decorado com falta de maturidade e pitadas populismo. Este foi o bolo que André Ventura nos apresentou.
Apitou o relógio do forno, o debate acabou e André Ventura percebeu que se tinha esquecido do ingrediente principal de um debate bem servido: propostas concretas e bem explicadas.
Faltou-lhe, indubitavelmente, tempero e preparação.
Os temas foram quentes e servidos ao gosto de André Ventura… Passámos pela economia (os receios provocados pela conjuntura económica mundial), pelos impostos, pela falta de mão de obra, pela imigração e pela ética dos titulares de cargos políticos e, ainda assim, o deputado não saiu do óbvio e não concretizou nenhuma das críticas apresentadas. Como sempre, André ferveu em pouca água e acabou por estragar a refeição que preparava.
Pedro Nuno Santos, por sua vez, moderado, maturo e preparado, explicou o que pensa e o quer para o país, não reagiu a provocações, respondeu a tudo o que a moderadora lhe perguntou e, ainda, às questões de André Ventura.
Ressaltemos o tema da imigração, onde o Secretário-Geral do Partido Socialista, assumiu a complexidade do tema e, com a sua resposta, cozinhou, em lume brando, o deputado do Chega.
Em suma e continuando na metáfora da comida, um debate que se previa quente, saiu morno… E, em consequência, a maioria dos comentadores não hesitou em preferir o prato servido pelo socialista.
Cada um come o que o quer mas, neste momento, o Partido Socialista parece-me a opção mais saudável.
A palavra é de:
Telma Barbosa

