Análise – PS vs PAN

Um Debate Morno com Questões Quentes

Nestas eleições legislativas, como em qualquer outro momento decisivo para o futuro do país, é essencial estarmos bem informados para sabermos como exercer conscientemente o nosso direito — e dever democrático — de votar.
Com esse propósito, e no contexto de uma série de debates entre os principais líderes políticos, neste dia 12 de abril, teve lugar um confronto de ideias entre o secretário-geral do Partido Socialista, Pedro Nuno Santos e a porta-voz do Partido PAN, Inês Sousa Real. Neste debate foi possível discutir temas como a descida do IRC e os meios de estimulação económica, as redes de transporte e a recente Lei dos Solos.
No que conta ao primeiro tema, Pedro Nuno Santos contradiz a líder do PAN, afirmando que a descida do IRC não é necessária para a estimulação da economia. Em relação a questões tributárias, Pedro Nuno Santos defende o regresso do IVA Zero. Sendo assim, rejeita o rótulo de “radical” que a porta-voz do PAN lhe atribui já pelo segundo ano consecutivo, afirmando que “Não há aqui nenhuma radicalização”.
Já na temática dos transportes, Pedro Nuno Santos é questionado sobre o fim da isenção do ISP, onde se destaca a sua posição moderada e pragmática, afirmando que “é preciso conciliar quem está preocupado com o fim do mundo com quem quer chegar ao fim do mês”. Inês Sousa Real, por outro lado, alerta sobre a necessidade do país de ter uma rede de transportes públicos eficientes, de modo a não “falhar com a meta da descarbonizarão e a desperdiçar fundos europeus”, apontamento que considero de extrema relevância.

Em matéria de habitação é de destacar a preocupação de PNS com os jovens portugueses, criticando as medidas aplicadas pelo governo da Aliança Democrática — “Com as medidas da AD de potenciação da procura sem alargamento da oferta, foram muitos mais os jovens que ficaram longe do sonho de ter uma casa”.
Em suma, o debate entre o PS e o PAN evidenciou divergências significativas entre os dois partidos, baseadas essencialmente em questões fiscais. Faço minhas as palavras de Luísa Meireles quando diz que achou o debate “morno”, sentiu-se uma certa falta de intensidade e profundidade na troca de argumentos. No entanto, apesar da falta de dinamismo, considero que Pedro Nuno Santos sobressaiu por evidenciar mais clareza nos seus argumentos, ao contrário de Inês Sousa Real que
por vezes apresenta um discurso confuso. Por fim, crítico a prestação da moderadora, que, evidentemente, não foi a mais desejável, interrompendo e não deixando nenhum dos candidatos concluir os seus raciocínios.

A palavra é de:

Carmo Leão