Análise – PS vs PCP

Duas Visões, Dois Tempos: PS aponta para o futuro, CDU vive do passado

PS e CDU, dois partidos historicamente semelhantes, mas com uma visão futura muito
distante. Hoje, dia 21/04/2025, ocorreu o debate do PS, representado pelo seu
secretário-geral, Pedro Nuno Santos, contra a CDU, (Coligação Democrática
Unitária),coligação entre o PCP e o PEV, representada pelo Secretário-Geral do PCP, Paulo Raimundo.
No momento inicial do debate, ambos falaram sobre a dimensão política do legado do falecido Papa Francisco. Pedro Nuno Santos afirmou que o Sumo Pontífice era um homem “bom e generoso”, e que tinha uma grande preocupação especialmente com os mais frágeis, e incitava à população mensagens de respeito ao outro. Paulo
Raimundo referiu que o Papa era um homem que lutava contra as desigualdades, que promovia sempre a paz.
O debate começou pelo tema da saúde, com ambos os partidos a referirem a
importância de proteger e reforçar o SNS, apontando também soluções semelhantes, como por exemplo a majoração da carreira dos médicos, para os fixar no SNS. Noentanto, nesta matéria o que separa o PS da CDU, é o facto do PS querer alargar o SNS para a saúde oral e mental, o que, honestamente, seria uma excelente conquista, visto que a saúde oral e mental só está disponível praticamente em privados e é muito dispendiosa, e nem todas as pessoas têm a capacidade para arcar com os custos das mesmas.

Acerca da imigração, Pedro Nuno Santos teve uma postura mais realista do que o seu adversário, defendendo que, de acordo com o contexto atual do país, a imigração tem que ser “regulada e humanista”, privilegiando a entrada de imigrantes através de canais regulados. Já Paulo Raimundo, apresenta uma visão muito diferente nesse tema, afirmando que precisamos de uma imigração regularizada, sendo uma das
propostas do PCP a dotação da AIMA dos recursos necessários para regularizar todos os imigrantes que estejam em situação irregular no país (proposta essa que tinha sido rejeitada em AR). Neste tema Paulo Raimundo apresenta uma noção descabida, pois se a imigração não for minimamente controlada, poderia causar uma sobrecarga dos nossos serviços públicos (mais ainda) e consequentemente causar as chamadas “deseconomias de aglomeração”.

Paulo Raimundo acusa também o PS de ter viabilizado o governo da AD até ao limite, comparando o PS à AD. Pedro Nuno Santos refere-se a essa comparação, dizendo que é o erro histórico cometido pelo PCP, e que não viabilizou a AD mas sim os Portugueses, que já estão cheios de eleições.


Acerca da descida de impostos como por exemplo o IRC às empresas, o PS tem uma visão mais sensata e lógica, ou seja, reduzir impostos às empresas, desde que elas utilizem o lucro para o desenvolvimento da empresa e para a melhora das condições de trabalho e não para distribuir entre os seus acionistas. Nessa matéria, Paulo Raimundo tem uma visão muito dogmática, não defendendo a descida dos impostos para as empresas, justificando-se com o facto de que prefere corresponder às pessoas e não aos grandes grupos económicos. Com esta inferência, é perceptível que o PCP é um partido completamente inflexível nas ideias e agarrado ao passado.

Pedro Nuno Santos foi questionado acerca do caso da acusação de Violência
Doméstica praticada por um candidato pelo PS a uma autarquia, e respondeu dizendo que com a violência doméstica o PS “não vacila” e que por isso foi tomada a decisão de afastar o candidato do PS. Nessa inferência, PNS faz também uma nota, dizendo que respeita muito o PCP, mas, criticou Paulo Raimundo, dizendo que quando o PS governou em maioria absoluta, houve também aumento das pensões, o que é verídico.
Paulo Raimundo afirma que a CDU assume compromissos e que não faz promessas
(como PNS tinha criticado), e diz que o programa do PS é “poucochinho”, que promete para 2029 o que hoje não é pago se quer em Espanha. Ora, o que se retira deste debate é que Paulo Raimundo não entende muito como a economia funciona. Não temos como aumentar os salários mínimos abruptamente, pois as pequenas e médias empresas (principalmente) não o iriam conseguir suportar.

No final do debate, PNS foi confrontado acerca da investigação que lhe está a ser feita por parte do MP, o mesmo afirma que foi um jogo político e que já publicou os seus documentos todos. Honestamente, se Luís Montenegro tivesse enfrentado as
acusações da mesma forma que PNS enfrentou, explicando tudo e mostrando todas as provas, o país estaria numa situação muito diferente (provavelmente o governo não teria caído). O debate terminou com Paulo Raimundo a afirmar que assume um compromisso com a vida das pessoas, e para justificar o seu programa mais ambicioso, afirma que quem faz a economia girar são as pessoas, os trabalhadores, e que por isso, o dinheiro deve ir para melhorar as condições dos mesmos e não para grandes grupos económicos. Exclamou também que isso tudo só é possível com mais votos na CDU, com uma CDU mais forte e com mais deputados.

Finalizado o debate, apenas podemos concluir uma coisa: há duas formas muito
diferentes de olhar para o país. De um lado, o PS, com PNS a apresentar propostas
concretas, realistas e pensadas para o futuro. Do outro, a CDU, que continua presa a um discurso demagógico, preso ao passado, e que, parece não querer adaptar-se ao contexto atual.
Pedro Nuno Santos mostrou equilíbrio, firmeza e, acima de tudo, uma visão de país
que aposta nas pessoas, no progresso e numa governação estável. A CDU, por mais que diga que representa os trabalhadores, acaba por cair numa retórica que já não convence como antes.
Hoje, mais do que nunca, precisamos de quem saiba olhar em frente, de quem nos
saiba guiar para um futuro melhor, sem medos nem demagogias. E esse papel, neste momento, cabe ao PS. Foi o único partido neste debate que mostrou estar preparado para construir um futuro com ambição, seriedade e esperança.

A palavra é de:

Guilhermo Pinto